Feira livre do crack: traficantes vendem drogas em bandejas no centro de SP

Oslaim Brito/Futura Press

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No “fluxo” da Cracolândia há milhares de usuários e completo abandono; cachimbos de crack e isqueiros recolhidos no centro de SP

O que se vê na esquina da Rua Helvetia com a Alameda Dino Bueno, próximo à Sala São Paulo, é uma das cenas mais degradantes e tristes que um ser humano pode se submeter. Na noite de terça-feira (22), milhares de pessoas vagam com o cachimbo de crack em uma das mãos e com a outra fechada na tentativa de manter seguras as pequenas pedras.


É um dia comum na maior concentração de usuários de drogas da cidade de São Paulo. Toca Racionais MC’s nas caixas de som de um dos botecos e a Cracolândia funciona normalmente. O comércio é feito ao ar livre e sem nenhuma preocupação. Como numa feira, pessoas, aparentemente sóbrias, sentam-se em atrás de mesas — algumas formais como as de um escritório — com pedras de crack do tamanho de tijolos, algumas um pouco menores são colocadas em pratos brancos organizadamente e há até balanças de precisão para a compra. Numa das barracas, um homem mantém um pitbull numa coleira.


Além da feira, a Cracolândia ainda tem uma área vip contando até com seguranças armados, de acordo com policiais, a área vip ainda conta com um serviço de entregas onde fazem entregas de bebidas com o valor dobrado, a segurança dos clientes Vips é garantida pelos criminosos que são chamados de disciplinas (responsáveis pela segurança e o bom andamento do espaço físico, eles fazem parte de uma estrutura hierárquica da facção Paulista que atua na Cracolândia). Jovens, geralmente de bicicleta, fazem as vezes de olhos do tráfico. Eles circulam atentos ao movimentos e vez ou outra abordam as pessoas para saber o que fazem ali.

Homens e mulheres de todas as idades, situações econômicas e graus de escolaridade se acotovelam em busca de mais uma “pancada” sob a vigilância de duas viaturas da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e duas da PM (Polícia Militar) estacionadas e outros carros que circulam pela região. Na Praça Princesa Isabel, a alguns metros do fluxo, uma base da PM e um caminhão do Choque, que se mantém com o motor ligado, fazem a segurança do local.

O processo de enxugar gelo não é nenhuma novidade para o poder público, tanto do Estado quanto do município, de São Paulo. As tendas armadas em julho do ano passado na Rua Helvetia com a Alameda Cleveland migraram para o centro do fluxo, a já citada esquina da Helvetia com a Dino Bueno.

Alguns usuários dormem no Espaço Helvetia, do projeto Braços Abertos, da Prefeitura, mas segundo informações dos usuários o local fecha por volta das 21h e seus frequentadores são obrigados a sair. Em frente, o prédio do Programa Recomeço, do Governo do Estado, está com as luzes acesas e as portas fechadas. Os agentes de saúde circulam, mas a quantidade é ínfima diante das mais de mil pessoas que habitam a região.

Cachimbos usados para o consumo de crack

Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo “esclarece que as polícias Civil e Militar desenvolvem ações na região da Luz para sufocar o tráfico de drogas e apoiar as ações de saúde e assistência social aos usuários de drogas.


O Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico) investiga a ação de grandes fornecedores de entorpecentes para a área. De janeiro a setembro deste ano, foram presas 30 pessoas em flagrante por tráfico e outras 30 por força de prisões temporárias na Nova Luz. Também foram apreendidas 110.000 pedras de crack na região. O policiamento na área é ininterrupto e realizou 294 flagrantes de tráfico de drogas de janeiro a setembro deste ano na região.


A Polícia Militar mantém seu efetivo com mais de 150 policiais da Companhia Nova Luz, que contam com bases comunitárias, base móvel, viaturas de quatro rodas e motocicletas, que atuam 24 horas na região. Cinco bases continuam fixadas na região: uma no cruzamento da Av. Duque de Caxias com a Praça Princesa Isabel, outra no cruzamento da R. Guaianases com Al. Glete, a terceira, na altura do número 173 da R. Guaianases, a quarta na Alameda Barão de Limeira com Rua Helvétia, e, a quinta, no Largo Coração de Jesus.”


A secretaria municipal de segurança urbana informa que “não cabe à pasta o enfrentamento ao tráfico de drogas na Cracolândia ou em qualquer outro local da Capital. Nos últimos meses, constatamos um aumento de venda de drogas no ‘fluxo’. Enviamos ofício ao Secretário Estadual de Segurança Pública, Dr. Mágino Alves Barbosa, solicitando intensificação do trabalho de inteligência policial no local.”

Brazil Photo Press/LatinContent/Getty Images

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